terça-feira, 17 de janeiro de 2017

O AMENO FATO TERRÍVEL



Todos os poemas que toscos surgem por não saber mais o que se escreve. Todos os grotescos palavrões que queria poder pichar nos muros pra me fazer notar, mas não consigo nem dizê-los em voz alta... Minha mãe já dizia que menina não senta de perna aberta e não fala palavrão. Mulher tem que falar baixo e bonito. Mulher é bicho burro e nasceu para amar e sofrer, dizia a minha Vó. Tentar ficar... Tentar partir... Tentar voltar... Eh, minha Vó... Não é que você tinha mesmo razão? Tanto faz porque o final é sempre o mesmo... Mulher gosta é de chorar. E as poucos, aquelas poucas palavras toscas de afeto vão se acabando, e o amor que antes parecia tão grande, que depois virou ódio pichado nos muros da cidade, vai virando uma dor roxa e pequenininha, como num poema de Adélia Prado onde Jonathan nunca vem. A dor roxa vai virando cicatriz de Chico Buarque, e depois vira saudade de uma música do Cartola, pra restar só uma lembrança e depois um grande vazio, como um poema sem nexo e inacabado...


Nenhum comentário:

Postar um comentário