sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

:confusões:

O dia claro. Era um dia realmente claro. Daqueles dias que cegam, que doem, o olho arde... Eu ia caminhando, imaginando, dedilhando mentalmente... A cabeça divagava. Em minha vida seguia caminhando meio cega olhando para o céu. Lendo antigos contos. Ouvindo velhos discos. Quando num dia, resolvi entender e busquei a dor dos olhos teus, lendo um velho livro do Neruda. O salto do meu sapato no meio fio. Meu coração junto. Silenciei. Buscava teus passos junto aos meus. Não ouvia mais nada. Não via mais a dor dos teus olhos, nem Neruda nem nada. Teus olhos agora eram meus. A minha dor, minha angustia. Faz tempo que aquele tempo passou. E mesmo assim o dia continuava claro. Levava o teu casaco e a dor de te deixar. Eu nem tinha chegado e já buscava a dor dos teus olhos. Ou seriam os meus? Incrível, mas tantos anos depois, ainda vejo a dor espelhada. Será minha dor ainda!??!?!

14/12/2007



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