quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

::Amor Antigo::

O que amo em ti, não é esse olhar de seis da tarde, não é essa mania de andar sambando, não é tua boca de vinho, os livros que leste, nem mesmo o que sabes ou não sabes.
        O que amo em ti não é teu traço desenhado, nem a tua doçura, nem a tua loucura, nem a candura que algum poeta já escreveu, nem mesmo teu cheiro.
        Não é a tua meiga preguiça, não são os silêncios de que és feito, nem o mistério, que ás vezes te povoa.
        Não é esse ar letárgico, trágico, trístico, místico. Não é a tua voz irônica e sábia. Não é a tua cabeça, ou a tua sensualidade ou a tua certeza, ou a tua fragilidade. Nem mesmo é a tua gargalhada ou o teu beijo, que cada vez é uma coisa...
        O que amo em ti, são as rugas, meu amor. As rugas...


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