domingo, 16 de fevereiro de 2014

:: LA HORA DEL TÉ::


   Lembrar do passado aperta o peito. Principalmente o meu, que sonhava em ser poetiza, carregando as dores do mundo e palavras bonitas. Nada mais que ser comum. Depois de tanto tempo sem escrever, usando uma letra que não é minha, não sinto nas palavras aquele ar de Martha Medeiros e Leminsky. Uso minha depressão pra disfarçar meus ais, que não são mais nada do que 'ais' de uma mulher comum. Apenas uma mulher comum e um dia comum. Com casa, banhos mornos, televisão,filhos e o cachorro recolhido da rua... Volto pra casa. De volta a pacata vida com todas as suas palmeiras e sabiás, e trabalhos, e rotinas... Tento pensar em algo interessante para maltraçar nas linhas, mas os dias permanecem iguais. Tento achar algumas palavras eruditas com frases dotadas de garbo, mas tudo me escapa. Como uma mulher comum, me levanto e vou fazer um chá... Que Adélia Prado me tome os dias e me torne, eu, hoje, a sua nova poesia.


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