domingo, 2 de fevereiro de 2014

Há cinco anos atrás

Dia estranho. As pessoas olham como se não me conhecessem mais. Tudo bem. Talvez eu não seja mais a mesma... Antigamente não me inspirava em Bukowski... Antigamente garotos não me ofereciam nem sequer uma bala melada guardada a semanas no bolso... e antigamente eles não receberiam um sonoro não. Bem, de qualquer maneira continuo não recebendo balas nem novas nem guardadas. Garotos continuam não olhando pra mim apesar de eu ser uma garota casada.
Continuo me inspirando em Bukowski, e volta e meia sento sozinha com um caderno em um lugar qualquer para analisar a fina flor da intelectualidade curitibana. A porta de um teatro, um café supercharmoso no inverno, uma praça atribulada de passantes. Regada a chocolates e conhaques, com seus cachecóis, tênis legais e conversas underground sobre assuntos inusitados e sem nenhuma importância. O chopp no Alemão continua o mesmo. Os teatros continuam com sua elite pensante que insiste em ignorar os pobres mortais que gostam de simplesmente ir ao teatro. As praças continuam com seus atribulados passantes mesmo que estejam reformadas. As mesmas pessoas passam por lá. Os mesmo assuntos, as mesmas cantadas, o mesmo vento frio... Mas agora nós temos os psiquiatras. Não há nada mais pra se ver. E o que nós vamos fazer? Vamos lá, cara... Pense bem! Ainda temos assassinos, estupradores, ladrões de carro, padres, loucos...
Volto pra casa cedo. Realmente não há nada mais para se ver. Recordo-me de algumas canções, escrevo um poema bobo em um guardanapo, termino de ver a peça, saindo do teatro  um hippie com os dentes podres insiste para que eu compre um de seus ‘trabalhos’, nem respondo e vou pra casa.
Dia estranho. Tive a real e estranha sensação, sentada naquela poltrona do teatro, que as coisas não estavam bem. Não estavam mesmo. E não iriam estar nos próximos dois mil anos. E, simplesmente, não existe muita mudança em lugar nenhum. Eu continuarei sendo uma escritora de gaveta, com casa, filhos que ainda não foram planejados e Curitiba continuará sendo Curitiba. Com seus imprestáveis intelectuais e seus cachecóis. Na verdade, tanto faz. Acho que alguém deveria cuidar melhor de mim...
17/07/2009

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